quarta-feira, 30 de novembro de 2022

31 - CARTOLA

 



Há 42 anos morria Angenor de Oliveira, o Cartola. Segue um testemunho em forma de homenagem.

 

A primeira vez que tive consciência da sua música, ou seja, que eu a ouvi prestando atenção, eu tinha doze anos. Era fevereiro de 1997, por voltas das seis e meia da manhã, e eu tomava um copo de leite puro e gelado, já vestido com o uniforme escolar, assistindo a uma aula de artes do Telecurso 2000. O apresentador, jovem, com uma voz suave, toma o violão ao colo e começa a cantar As Rosas Não Falam. Que coisa linda! Nunca tinha escutado aquilo. Fui para escola, na companhia do meu irmão - como sempre íamos juntos, a pé - assobiando aquela melodia triste e profundamente bonita, mais bonita do que triste.

 

Em julho de 2004, nas férias universitárias, numa das raras vezes em que eu ia cinema, assisti ao filme sobre um outro A[n]genor, o Cazuza, que apenas reconheceu seu nome de batismo após se saber xará daquele das rosas que não falavam. Um da favela, outro do Leblon; um, de antepassados escravistas, gravou seu primeiro disco aos 66 anos, outro era burguês e filho do fundador da Som Livre; um do sambódromo, outro do Rock’n Rio; um consolou-se com o álcool, outro com o pó; um teve a glória na velhice, outro ainda novo; um foi tocado pelo rosácea, outro pela AIDS; um, apesar da vida difícil, envelheceu, outro, apesar da vida boa, foi-se cedo demais.

 

Em inícios dos anos 1970, enquanto Cazuza ia para Londres de férias, Cartola era chamado às pressas por D. Zica ao seu jardim, no pé do morro da Mangueira:

 

- Cartola, venha aqui! Venha ver o jardim! Por que é que nasceu tanta rosa?

 

– Não sei, Zica. As rosas não falam! respondeu o músico já percebendo aquela frase como o mote de uma de suas composições mais famosas – atualmente a décima-primeira canção brasileira mais regravada de todos os tempos.

 

As rosas não falam, mas continuam exalando o perfume do mágico compositor Cartola.


terça-feira, 29 de novembro de 2022

30 - DUKE ELLINGTON

 


Duke Ellington (1899-1974) é um dos maiores compositores norte-americanos de todos os tempos. Dentre as suas mais de 1.500 composições, contam-se baladas e temas dançantes (swings), além de pequenos concertos para os solistas de sua orquestra, música sacra, trilhas sonoras para filmes e suítes para balés. Seu verdadeiro instrumento era a orquestra.

 

Apesar das aulas de piano que recebeu na infância, seu despertar se deu apenas aos 14 anos, quando decidiu se dedicar com alma à música. Sua primeira composição surgiu de uma maneira intuitiva que caracterizaria posteriormente seu método criativo: ao escutar uma música, repetia no piano o que ouvira e depois trabalhava, improvisando, algum fragmento ou passagem que mais o impressionara, até que tocasse algo diferente que se tornava um esboço de composição. Esse esboço era trabalhado, reinterpretado, exposto ao público até que se transfigurasse numa nova música. Aos poucos, suas músicas culminariam no seu jungle style tão característico.

 

Em 2014, o filme Whiplash incluiu em sua trilha a música Caravan, composta por Duke em 1936. A interpretação cinematográfica está à altura do ritmo melodioso frenético. Que música! Que filme! Que compositor!