Sonho te aconchegar num cantinho,
e ao mesmo tempo sair correndo de mãos dadas
gritando absurdos nalguma rua mal iluminada.
Mas eu quero mesmo é te ver dormindo.
Você, sempre agitada, elétrica,
e cheia de silêncios e dúvidas em busca de descanso.
Meu desejo é te ver dormindo, quando, enfim,
eu poderei ajoelhar-me à beira da sua cama,
e, sem sono, ficar te olhando olhando olhando
aliviado porque seu rosto está tão calmo
e o seu coraçãozinho batendo forte.
O perfume, o escuro, o calor
e eu ao seu lado esperando esperando esperando
o melhor acontecer...
Mas os barulhos da cidade te acordam, num tremor...
despertam e assustam ; mas daí a pouco, disfarçando o mau humor:
Bom Dia, Meu Amor!
me aproximo contente junto ao seu rostinho
que recebe os lábios meus.
E nós com isso muito satisfeitos,
conscientes de que tudo não passa de um soluço de Deus
que pode se extinguir quando menos esperamos.
Uma semana? 70 anos?
Então você me inventa e se apressa em mim - os filhos por vir;
eu te descubro e me descanso em você – casar pra quê ?
Não nos acho tão diferentes.... nem tão iguais.
Há amor. Um ocasional tesão.
O desespero mudo de sempre.
No fundo uma vontade de ser o único leão.
Uma vontade de estar no cio e ser cadela.
No fundo uma vontade de alcançar o fundo.
Mas eu quero mesmo é te ver dormindo serena e bela
sem desejar além disso nada que não seja
sua liberdade de ser fêmea e não precisar ser mulher,
ou de ser mulher e não temer o fechar da primavera.
Quem sabe quando você acordar, princesa, com aquele
Bom Dia !
exibindo seus seios róseos generosos ?
Seu corpo branquinho se misturando com o branco da cama,
com o branco de mim mesmo.
Sete minutos? Uma semana?
O banheiro apertado, o abraçar sem fôlego em fog e sabão
A toalha é pequena pra nós dois, mas não sentimos frio.
As roupas coloridas do cotidiano cinza.
Os sapatos soam duros batendo no chão,
atravessando a porta e virando a esquina.
A cama por fazer... A vida por fazer...
Chega de dormir! A noite se apagou !
Bom dia, Meu Amor!
Arranca-me do marasmo
com o seu beijo de sol!
Pega-me nos seus braços
com uma vontade de herói!
Encaixa-me no seu corpo,
presas selvagens numa romã,
e deixa-me- rindo até surgir a manhã.
Tanto assim, e de novo, e de novo, vezes sem fim,
acordar com suas mãos em meu cabelo despenteado ;
sua voz grave em meu ouvido ; desliza atrás de mim
o suor que pinga do seu queixo recém barbeado.
Que bom é nascer... pra logo morrer,
toda sua.
E gastar a vida apenas nisso.
Paixão infinita à distância mínima.
Nua.












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