Não
nos abordamos pela sedução das flores;
pegamo-nos
pelo fundo, pela podridão das raízes;
das
mais fininhas e insignificantes,
fomos
subindo Árvore da Vida adentro,
sem
risco de sermos ludibriados por serpentes
com
frutos proibidos - será?
Quem
é você, senhorita diabólica?
Vem cá no canto, ninguém precisa saber:
desfaz seu feitiço, vamos! que eu estou
à sua mercê.
Não, não... deixa como tá...
Não, não... deixa como tá...
ao menos assim, insano,
me julgo homem pra ir além
do seu belo rosto,
do seu cheiroso corpo,
do seu batom de alegria,
das suas coloridas sombras de angústia.
Te procuro onde nem mesmo você quisera
ir.
Vou enroscando a sua tortuosidade infeliz
na minha,
vamos nos escavando, nos
desenterrando,
numa arqueologia da alma e do amor.
Será
carência? Vaidade?
A
solidão e o silêncio?
Minha carência é espaço de sobra no meu
coração;
a solidão é o silêncio, sou eu mesmo;
vaidade é o prazer de, em você, ser mais
do que devo ser.
Posso mergulhar fundo e você nem sentir.
Perigoso,
às vezes torno-me o espectro
de
quem me disponho a desassombrar.
O dentro do armário, o debaixo da cama,
o vento que abre a porta.
O dentro do armário, o debaixo da cama,
o vento que abre a porta.

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