terça-feira, 24 de junho de 2014

7 - AINDA É CEDO, AMOR - QUEM É VOCÊ?



Não nos abordamos pela sedução das flores;
pegamo-nos pelo fundo, pela podridão das raízes;
das mais fininhas e insignificantes,
fomos subindo Árvore da Vida adentro,
sem risco de sermos ludibriados por serpentes
com frutos proibidos - será?

Quem é você, senhorita diabólica?
Vem cá no canto, ninguém precisa saber:
desfaz seu feitiço, vamos! que eu estou à sua mercê.
Não, não...  deixa como tá...
ao menos assim, insano,
me julgo homem pra ir além
do seu belo rosto,
do seu cheiroso corpo,
do seu batom de alegria,
das suas coloridas sombras de angústia.
Te procuro onde nem mesmo você quisera ir.
Vou enroscando a sua tortuosidade infeliz na minha,
vamos nos escavando, nos desenterrando,
numa arqueologia da alma e do amor.

Será carência? Vaidade?
A solidão e o silêncio?
Minha carência é espaço de sobra no meu coração;
a solidão é o silêncio, sou eu mesmo;
vaidade é o prazer de, em você, ser mais do que devo ser.
Posso mergulhar fundo e você nem sentir.
Perigoso, às vezes torno-me o espectro
de quem me disponho a desassombrar.
O dentro do armário, o debaixo da cama,
o vento que abre a porta.

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