Como é bom me iludir com vc!
Você
escreve e pensa claramente,
mas
fala dos subterrâneos.
Dispõe-se a aparecer inteira...
Mas somos imensos...
E em vez de me aproximar,
deliciando-me nos seus detalhes,
arriscando-me a não compreendê-la como
um todo,
afasto-me, para, de longe,
poder te ver completa,
ainda que sem pormenores.
Deixemos o tempo passar e, lentamente,
nos teremos na parte e no todo.
Meu frio é grande
e me move, trêmulo, mas decidido,
em sua direção solicitando seus retalhos
que um dia, bem costurados com paciência e
amor,
serão vc inteirinha em torno de mim.
Vc me aquecendo de fora para dentro,
eu retribuindo no sentido inverso.
Não queria parar por aqui,
mas já é inverno,
e meus pés já estão geladíssimos,
bem como os dedos das mãos.
As extremidades são sempre mais frágeis,
e é por elas que nos ligamos.
Persistamos e venceremos o tempo...
mais tarde as distâncias...

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